domingo, dezembro 16, 2012

Filme: Hotel Transilvânia


A cada dia fica mais evidente que a era de ouro das animações se foi. Apesar de não ser um desastre completo, Hotel Transilvânia só exalta esse fato.

No filme, Mavis (Selena Gomez) é uma vampira prestes a fazer 118 anos (o equivalente a 18 humanos). Seu pai, o Drácula (Adam Sandler), proprietário de um dos hotéis para monstros mais famosos do mundo, livre de humanos desde 1898, convida seus amigos monstros e o hotel fica lotado para a festa da menina. 

Mas o sonho de Mavis não é ter uma festa, não é rever os amigos e não é fazer 118 anos (embora esse último seja algo por que ela vem esperando). Drácula lhe disse que quando ela atingisse essa idade poderia enfim deixar o castelo. Conhecer o mundo, sim, é o sonho de Mavis.

Mas seu pai não está disposto a cumprir a promessa. Impedir Mavis de sair de casa e se envolver com humanos, consequentemente se machucando, torna-se uma tarefa mais difícil ainda quando Jonathan (Adam Samberg), um humano viajado, consegue entrar no castelo. E sua presença pode acarretar mais do que a libertação de Mavis.

Já há alguns dias minha amiga me arrastou para dentro do cinema, para ver Hotel Transilvânia. Minhas expectativas não eram muito altas - nunca fui apaixonada por animações - mas eu esperava ver algo no nível de Carros, por exemplo (o primeiro, porque o segundo tentou fazer o tipo "vamos conscientizar" e se estragou). O que eu encontrei foi uma ideia relativamente boa perdida num mar de piadinhas sem graça, cenas entediantes e personagens (principalmente os secundários) ruins.

E não digo piadinhas sem graça porque são dirigidas a um público de menos idade. São realmente sem graça, e piores ainda se comparadas aos gracejos (realmente engraçados) de filmes como Monstros S.A. e Madagascar (novamente, o primeiro). Humor forçado, que dá a impressão de só estar ali para impedir as crianças de pedirem à mãe para irem ver outro filme. É isso que você encontra em Hotel Transilvânia.

Os três exemplos que eu usei (Carros, Monstros S.A. e Madagascar) são de animações anteriores ao ano de 2007. Da mesma época, ainda posso citar outras (Procurando Nemo, 2003, Toy Story, 1995, Vida de Inseto, 1998, o insuperável O Rei Leão, 1994...)  excepcionalmente melhores que Hotel Transilvânia, um filme infantil sobre como uma menina vampira encontra um namorado no meio de um bando de monstros. Certo, talvez a história trate de família e libertação. Mas não deixa de ser o já bem explorado enredo sobre 0 pai superprotetor e a filha presa em casa, em comparação a todos os outros citados, histórias sobre amizade verdadeira, importância da família, 0 triunfo do bem sobre o mal... 

Conclusão? Depois da série de ótimas animações da década de '40, que incluiu Pinóquio, 1940, Dumbo, 1941, e Bambi, 1942, esse gênero realmente estourou nos anos '90, boa fase que se estendeu por toda a década de 2000. E aí se encerrou.

O primeiro erro foi insistir nas continuações só porque os filmes originais fizeram sucesso. Por que Procurando Nemo, por exemplo, nunca teve uma continuação? Porque a história não pedia. Carros também não pedia, nem Madagascar, apesar de o segundo filme da sequência ser melhor do que uma grande corrida para promover o combustível renovável, com mais explosões que o último Batman. Mas quando começaram a investir em filmes como Operação Presente e A Origem dos Guardiões, quando a originalidade foi substituída pela seguida das modinhas, aí já foi demais.

Hotel Transilvânia não foge disso. A modinha que segue é a dos monstros, que agora estão por todo o lado. Meu conselho? Se deu vontade de ver uma animação, ou de levar o filho para assistir uma, recorra á seção de filmes mais antigos de uma locadora, e não às salas de cinema.

Até mais,
Gih

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